Moléculas Orgânicas Descobertas pela Sonda Espacial Rosetta

Com mais de 3 mil Kg de peso, painéis solares capazes de gerar até 1.500 Watts de potência e um custo de aproximadamente 1 bilhão e 800 milhões de dólares a sonda Rosetta foi lançada ao espaço no dia 02 de Março de 2004 às 7 horas e 17 minutos GMT do centro espacial da Guiana Francesa.

A bordo de um foguete Ariane 5 a sonda Rosetta iniciou a sua jornada de 10 anos e 5 meses rumo ao cometa Churyumov–Gerasimenko também conhecido pelo nome abreviado de 67P.

Observado pela primeira vez pelos astrônomos soviéticos Klim Ivanovych Churyumov e Svetlana Ivanovna Geresimenko no dia 11 de setembro de 1969 e com tamanho aproximado de 4,1Km por 4,3Km, o cometa 67P tem um período orbital de 6 anos e 4 meses e realiza uma rotação em torno do próprio eixo a cada 12,4 horas.
O que esse cometa tem de especial? Ele recebeu o primeiro veiculo a pousar em um cometa, o módulo de pouso Philae que viajou junto com a sonda Rosetta.
Foto do cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko tirada pela sonda Rosetta:

Animação de fotos tiradas pela sonda Rosetta durante a aproximação com o cometa 67P:

A nave de pouso (Lander) de nome Philae, nome dado em homenagem ao Obelisco Philae que foi usado junto com a Pedra de Rosetta para decifrar os hieroglifos egípcios, pousou no dia 12 de Novembro de 2014 no cometa 67P.

Mesmo tendo um pouso problemático, esse módulo conseguir obter imagens e fazer alguns testes da composição do solo antes de entrar em hibernação por acabar a energia de suas baterias 3 dias após o pouso.
No dia 15 de Novembro de 2014 a energia das baterias desse módulo acabou, forçando o módulo a entrar em hibernação pois a posição onde ele pousou não deu muito acesso à luz solar para recarregar as baterias que ele tinha a bordo, o pouso foi em um buraco que estava embaixo da sombra de um monte. Essa falta de energia fez com que a maioria dos objetivos científicos desse módulo não fossem realizados em sua totalidade. Entre esses objetivos, tínhamos:
- Características do núcleo do cometa 67P
- Determinação dos componentes químicos presentes
- Estudar as atividades e o desenvolvimento do cometa ao longo do tempo

No dia 5 de setembro de 2016, a menos de um mês do fim da missão, a camera de alta resolução da Sonda Rosetta revelou a posição exata do módulo Philae pousado no cometa, como é possível ver na imagem acima.
Saber a posição exata ajudou a contextualizar os dois dias de funcionamento da Philae.
Uma das descobertas é que o campo magnético desse cometa oscila entre 40 e 50 milihertz, provavelmente tendo origem no vento solar já que o núcleo do cometa não possui campo magnético.
Também se descobriu que é muito improvável que a água da Terra tenha vindo de cometas como o 67P pois a razão entre Deutério e Hidrogênio na água do cometa é completamente diferente da presente na Terra. O Deutério é um isótopo do hidrogênio. O deutério é utilizado para obter a água pesada que é empregada em certos reatores nucleares para reduzir a velocidade dos neutrons produzidos na fissão do urânio. O Deutério também é usado em conjunto com raios Laser de alta potência. No cometa 67P o número de átomos de deutério é 3 vezes maior do que na Terra.
A Philae possui 10 instrumentos, num total de 26.7Kg para analises cientificas no cometa.
São os seguintes instrumentos:
- APXS: Instrumento que provê informações sobre a composição química na superfície do cometa. Ele detecta raios X e partículas alfa.
- CIVA: é um conjunto de 7 câmeras usadas para tirar fotos panorâmicas da superfície do cometa e um microscópio e um espectrômetro e é usado para analisar a composição, textura e reflectividade de amostras coletadas da superfície do 67P.
- CONSERT: um radas na sonda Rosetta transmitem um sinal que atravessa o cometa e é detectado por esse sensor e serve para determinar a estrutura interna do cometa.
- COSAC: é um espectrômetro de massa junto com um cromatógrafo de gás para analisar amostras de solo e determinar o conteúdo volátil presente nessas amostras.
- MUPUS: mede propriedades térmicas, densidade e dureza da superfície do cometa.
- Ptolemy: instrumento que mede as razões entre isótopos estáveis de componentes voláteis do núcleo do cometa.
- ROLIS: camera para obter imagens de alta resolução durante o pouso e também obter imagens panorâmicas das áreas analisadas pelos outros instrumentos.
- ROMAP: é um magnetômetro e monitor de plasma para estudar o campo magnético do núcleo e suas interações com os ventos solares.
- SD2: sistema feito de titânio que perfura o solo do cometa para transferir essas amostras para os outros instrumentos. Também tem um conjunto de 26 fornos de platina.
- SESAME: conjunto de três instrumentos, sendo que um mede a forma como ondas sonaras viajam através da superfície, o outro instrumento investiga propriedades elétricas e um monitor que detecta a poeira que cai na superfície do cometa.
Como na descrição dos instrumentos da Philae acima, a sonda Rosetta também possui uma série de instrumentos científicos:
- ALICE: um espectrógrafo ultravioleta que quantifica a quantidade de gases nobres no núcleo do cometa. Através do qual pode-se estimar a temperatura do cometa na sua criação.
- OSIRES: sistema de cameras que usa uma lente de 700mm e uma lente de 140mm.
- VIRTIS: espectrômetro capaz de tirar “fotos” de infravermelho do núcleo do cometa.
- MIRO: sistema que emite ondas de microondas que servem para medir a quantidade e a temperatura de substancias como água, amônia e dióxido de carbono no 67P.
- CONSERT: radar que serve para obter dados sobre o interior do cometa. Ele funciona em conjunto com um instrumento presente na Philae.
- RSI: mais um instrumento usado para investigar propriedades físicas do 67P.
- ROSINA: consiste de dois tipos diferentes de espectrômetros de massa.
- MIDAS: um microscópio de alta resolução para investigar diversas propriedades físicas de partículas de poeira.
- COSIMA: usa ios de Indium para analisar, também, as partículas de poeira do cometa.
- GIADA: mede o momento, velocidade e massa de partículas de poeira que entram o instrumento.
Usando esses instrumentos foi descoberto nesse cometa a presença de moléculas orgânicas complexas, constituídas em sua maioria de carbono, hidrogênio e oxigênio. Ou seja, basicamente o que constitui a nossa biologia.

Essa descoberta reforça o argumento de que os blocos usados para a vida podem ter vindo de rochas cobertas de gelo que vêem do espaço.
