Nota visual: a imagem de abertura é uma ilustração original gerada por inteligência artificial para representar o tema. Ela não é fotografia nem evidência documental.

Continentes escondidos no interior

Abaixo da África e do Pacífico existem duas regiões imensas onde ondas sísmicas de cisalhamento viajam mais devagar. Conhecidas como LLSVPs, elas se estendem por milhares de quilômetros lateralmente e podem alcançar cerca de mil quilômetros acima do limite entre núcleo e manto. Não são cavernas nem oceanos subterrâneos, mas volumes de rocha com propriedades diferentes. Sua forma é reconstruída por tomografia sísmica, comparando o tempo de chegada de ondas de terremotos a muitas estações.

Temperatura, composição ou ambas

Ondas mais lentas podem indicar material quente, mas a temperatura talvez não explique tudo. Composição química, densidade, fases minerais e pequenas quantidades de fusão também afetam a propagação. O termo superpluma pode sugerir uma chama rígida subindo do núcleo, imagem enganosa: o manto é sólido em escala humana e flui lentamente por milhões de anos. As grandes estruturas podem ser partes duradouras desse sistema, com bordas das quais plumas menores ascendem.

Restos da colisão que formou a Lua?

Uma hipótese propõe que parte desse material tenha vindo de Theia, corpo que teria colidido com a Terra jovem e participado da formação da Lua. Simulações indicam que fragmentos densos do manto do impactador poderiam afundar e sobreviver perto do núcleo. É uma possibilidade, não uma identificação. Outros modelos interpretam as estruturas como acúmulos de placas subduzidas ou reservatórios primordiais que nunca se misturaram completamente.

A ligação com vulcões

Muitos pontos quentes e grandes províncias ígneas parecem se concentrar acima das margens projetadas das LLSVPs. Isso sugere que suas bordas organizam a subida de material capaz de gerar vulcanismo de enorme escala. A relação depende, porém, do modelo sísmico e da reconstrução das placas. Se modulam o calor vindo do núcleo, essas regiões também podem influenciar ciclos químicos, supercontinentes e o resfriamento interno do planeta.

O que já sabemos e o que falta

A existência das grandes regiões de baixa velocidade é robusta; a origem e a composição exatas não são. Novas redes sísmicas, métodos de inversão e experimentos com minerais em altas pressões tentam descobrir quais combinações produzem os sinais observados. A ciência já enxerga estruturas que jamais serão visitadas, mas ainda debate a história geológica que as colocou ali.

Fontes e leituras complementares

  1. undefined. undefined. Acesso em 31 jul. 2026.
  2. undefined. undefined. Acesso em 31 jul. 2026.
  3. undefined. undefined. Acesso em 31 jul. 2026.